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A alimentação adequada e o desenvolvimento da massa óssea


A nutrição tem um papel vital na prevenção de doenças e promoção da saúde. O esforço de médicos e nutricionistas para implementar uma alimentação adequada tem surtido efeito no controle de colesterol, gordura saturada e sal, pois são nutrientes cujo excesso é sabidamente nocivo à saúde.

Uma substituição alimentar inadequada pode ser danosa à saúde. Um exemplo do que vem ocorrendo em todo mundo e também no Brasil é a troca de alimentos saudáveis por bebidas carbonatadas, os refrigerantes. A troca do leite por refrigerantes e bebidas energéticas é de causar preocupação, principalmente na infância e adolescência. A ingestão de cálcio dietético tem diminuído na maioria das faixas etárias. A brecha existente entre a recomendação de cálcio e a ingestão habitual das crianças, especialmente entre 9 e 18 anos de idade é substancial. A ingestão média desses grupos varia entre 700 a 1000 mg/ dia, com valores maiores entre os homens do que entre as mulheres (1).

O indivíduo saudável acumula a massa óssea (constrói seu banco de ossos) na infância e adolescência, atinge seu pico (quantidade máxima de massa óssea) no final da segunda década, mantém esta quantidade de ossos, e começa a perder após a menopausa, nas mulheres, e na senilidade tanto em homens quanto em mulheres. Pessoas com pouca quantidade de ossos podem desenvolver a osteoporose e ter fraturas com facilidade. Esta é uma doença epidêmica com repercussões psico-sociais e econômica devastantes. Quando a alimentação é adequada, dois terços do cálcio da dieta vem de leite e derivados. A substituição do leite por bebidas pobres em cálcio vai comprometer o indivíduo em crescimento a atingir seu pico de massa óssea programado geneticamente. Hoje é praticamente impossível aumentar pico de massa óssea na vida adulta, ou seja, se o indivíduo em desenvolvimento não adquirir a quantidade de osso no momento adequado, terá sua saúde comprometida por toda vida.

Existem importantes estudos epidemiológicos(2), observacionais (3,4) e intervencionais (5,6) que mostram a importância da ingestão adequada de cálcio na infância e adolescência, e que a diminuição da ingestão de leite e derivados está diretamente relacionada com a aquisição de novo osso.

Os vilões das bebidas carbonadas são os excessos de cafeína, fósforo, açúcar e mesmo a carbonação destas bebidas. Todos estes ingredientes, juntos ou separados, impedem ou diminuem o aumento da quantidade de osso nesta faixa etária.

A alimentação com quantidade adequada de cálcio é essencial na infância, adolescência e também durante toda vida adulta. O incentivo ao aumento do consumo de alimentos ricos em cálcio é uma estratégia de baixo custo que pode reduzir a incidência de fraturas ósseas na idade avançada. Uma dieta adequada é um dos pilares para prevenção e tratamento da osteoporose do adulto, em todas as etapas da vida, como a tabela abaixo.

Recomendação para ingestão de cálcio (mg/ dia) nos Estados Unidos – 1999*

1 a 3 anos 800 mg/ dia
4 a 8 anos 800 mg/dia
9 a 18 anos 1200 – 1500 mg/ dia

* Committee on Nutrition, American Academy of Pediatrics 1999 Calcium Requirements of Infants, Children and Adolescents. Pediatrics 104, 1152-1157.

As novas recomendações (DRIs – Dietary Reference Intake) para a ingestão diária de cálcio para adultos são de 1000 a 1200 mg (7).

Exemplo de alimentos ricos em cálcio:

ALIMENTO / PORÇÃO (Medida Caseira / Quantidade) / Ca (mg)

Leite Integral Pasteurizado / 1 Copo / 200 ml / 246
Leite semidesnatado UHT / 1 copo / 200 ml / /228
Leite semidesnatado UHT Parmalat® plus cálcio / 1 copo / 200 ml / 320
Leite Desnatado UHT / 1 Copo / 200 ml / 212
Leite Integral em pó – NINHO ® Crescimento / 2 colh. sopa cheia / 40 g / 304
Leite Semidesnatado em pó / 2 colh. sopa cheia / 40 g / 420
Leite Desnatado em pó - MOLICO ® 2 colh. sopa cheia 40 g 530
Leite de Soja em pó - SUPRA SOY ® sem lactose / 2 colh. sopa cheia / 40 g / 360
Iogurte natural Nestlé ® / 1 pote / 185 g / 280
Iogurte Natural Desnatado Nestlé ® / 1 pote / 185 g / 280
Queijo Minas Frescal / 1 fatia grossa / 30 g / 205
Cottage / 1 fatia grossa / 50 g / 45
Queijo Prato / 2 fatias finas / 30 g / 307
Queijo TOFU / 1 pedaço grande / 50 g / 200
Sardinha em conserva com azeite / Porção média / 50g / 200

A osteoporose é uma doença de proporções endêmicas. Não temos dados da prevalência da osteoporose no Brasil, mas os dados da National Osteoporosis Foundation (NOF) nos EUA mostram que:

- 40% das mulheres negras com mais de 50 anos têm osteopenia ou osteoporose.
- 72% das mulheres brancas com mais de 50 anos têm osteopenia ou osteoporose
- 23% dos homens negros com mais de 50 anos têm osteopenia ou osteoporose
- 42% dos homens brancos com mais de 50 anos têm osteopenia ou osteoporose

A nossa realidade não deve ser muito diferente visto que estes números se repetem em todo o mundo

Os dados do último censo do IBGE (www.ibge.gov.br) mostram que temos 12.772.805 mulheres com mais de 50 anos de idade no Brasil, que representam 15% da população feminina. Temos também 12.574.860 homens nesta faixa etária, que representam também 15 % da população masculina no Brasil.

Para reverter o quadro de má qualidade na alimentação e baixa atividade física é preciso educar e informar a população sobre a importância de promover a saúde óssea desde os primeiros anos de vida. O processo educativo, para atingir o comportamento, precisa ser exercido no dia a dia das escolas, dos clubes e dos pais, envolvendo o mundo da criança e sua família com hábitos de vida mais saudáveis.

Objetivos para uma campanha de conscientização

Implementar um programa de ações que visem a promoção de alimentos ricos em cálcio com enfoque no leite e derivados como forma de alimento saudável,e maior fonte de cálcio na dieta sendo essencial por toda a vida:

- Aumentar o nível de conhecimento da população sobre a importância do leite e derivados na prevenção e tratamento da osteoporose

- Modificar hábitos alimentares, informando a necessidade de ingestão adequada de leite e derivados desde da infância

- Reduzir a prevalência da osteoporose em conseqüência do maior ganho de massa óssea na infância até o adulto jovem.

- Promover precocemente uma maior detecção de pacientes com risco para osteoporose e orientação para a sua prevenção

Tema Principal

Educar a população Brasileira sobre a importância de:

- Alimentos ricos em cálcio, essencial da criança até o idoso
- O leite como a maior fonte de cálcio na alimentação
- A necessidade de ingestão adequada do leite e derivados no tratamento e prevenção da osteoporose.

Público Alvo:

- Crianças com enfoque na ingestão adequada de alimentos ricos em cálcio, enfatizando o leite e derivados, como forma de prevenção da osteoporose.

- Adultos com enfoque nos fatores de risco para osteoporose e detecção precoce da osteoporose.

Áreas de atuação:

Sob a coordenação da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) estabelecer uma parceria com:

- Todas as Sociedades médicas que trabalhem com metabolismo ósseo e mineral, densitometria óssea e osteoporose.

- Ministérios da Agricultura, Saúde e Educação.

- Associações da Indústria de Alimentação.

- Associação Brasileira dos Supermercados

Criação de um guia alimentar:

Baseado nas recomendações da ingestão adequada de cálcio por faixa etária, criar um manual técnico que possa orientar sobre os alimentos ricos em cálcio.

Estratégias

Cartazes e folhetos para distribuição em todo o País, sobre a importância da alimentação rica em cálcio, com enfoque no leite, em todas as faixas etárias para o tratamento e prevenção da osteoporose – tiragem 1 milhão.

Criação de Logo que identifique facilmente determinado alimento como rico em cálcio.

Colocação deste Logo nos rótulos e embalagens de alimentos ricos em cálcio.

Utilização de outros projetos da SBEM, como o Escola Saudável que orienta e ensina as crianças a ter uma alimentação saudável nas escolas, enfatizando e sugerindo o leite e derivados nas cantinas das escolas.

Criar a semana de prevenção da osteoporose com passeatas, aulas e facilitação de exames de detecção da osteoporose em adultos.

Criação de folder explicativo sobre o que é osteoporose, seus fatores de riscos e prevenção - tiragem 1 milhão

Comerciais de TV e rádios de 30 segundos explicando a Campanha

Testemunhais de comunicadores da mídia sobre o tema

Committee on Nutrition, American Academy of Pediatrics (1999) Calcium requirements of infants, children and adolescents. Pediatrics; 104: 1152-1157.

Matkovic V, Kostial K, Simonovic I, Buzina R, Brodarec A, Nordin BEC 1979 Bone status and fracture rates in two regions of Yugoslavia. Am J Clin Nutr 32:235-248.

Nieves JW, Golden AL, Siris E, Kelsey JL, Lindsay R 1995 Teenage and current calcium intake are related to bone mineral density of the hip and forearm in women aged 30-39 years. Am J Epidemiol 141:342-351

Kardinaal AFM, Ando S, Charles P, Charzewska J, Rotilly M, VaananenHK, van Erp-Baart AMJ, Heikkinen J, Thomsem J, Maggiolini M, Deloraine A, Chabros E, Juvin R, Schaafsma G 1999 Dietary calcium and bone density in adolescent girls and young women in Europe. J Bone Miner Res 14:583-592

Johnston CC, Miller JZ, Slemenda CW, Reister TK, Hui S, Christian JC, Peacock M 1992 Calcium supplementation and increases in bone mineral density in children. N Engl J Med 327:82-87

Bonjour JP, Carrie AL, Ferrari S, Clavien H, Slosman D, Theintz G, Rizzoli R 1997 Calcium-enriched foods and bone mass growth in prepubertal girls: A randomized, double-blind, placebo-controlled trial. J Clin Invest 99:1287-1294

Bryant RJ, et al 1999 The new dietary reference intakes for calcium: implications for osteoporosis. J Am Coll Nutr, 18 (5 suppl): 406S-412S.




   
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